terça-feira, 16 de março de 2010




De longe

Me deixe te dizer que prefiro calar
Eu, pessoa de palavras não as quero agora

O cheiro da partida me deixa tonta
O medo do olhar que parte me faz covarde

Fico aqui com teu cheiro
A sorrir os sorrisos de outrora

Permaneço aqui, sentinela
Fico com a que fui ao teu lado

E o fim explicado, justificado para que serve?
Fico ainda com o melhor que fomos na insensatez

Não quero teu rosto de despedida
Palavras comedidas,estudadas

Nada do que se vai isso teve
Teve sim, a ousadia do "não-pensar"

Fico aqui, de longe a acenar
Se for a ti, fico Jacques Brel suplicando "ne me quite pas"


Prefiro o sorriso do último encontro
A ternura de mãos a acariciar


Fico com a sensação de "lugar-comum" de seus braços
Tuas mãos e esculpir meu corpo


Escollho lembrar-me do "até mais"
A te dizer "adeus" sem lugar para as mãos


Despeço-me em ti,
Fugindo do desejo desobediente

Despeço-me consciente
Dos dias, horas deliciosas ao lado teu

Deixo-te em meus versos o meu "adeus"
E com ele, a satisfação da alma leve nos dias em ti


Parto com a leveza que tua companhia me deu
Com o sorriso que o recebi

É difícil dizer adeus com vontade de ficar
Mas agora volto ao meu lugar

Com a certeza de que "foi lindo!"


Branca

2 comentários:

Anônimo disse...

"A TI DIZER ADEUS SEM LUGAR PARA MÃOS" PARABENS POR ESTA PEROLA.A TOTALIDADE O VERSO RASCUNHA A PELE DO DESEJO DO SILENCIO...OTIMO

Gil disse...

Confesso que me emocionei ao ler este poema. Um de seus melhores e mais belos que já li.
Parabéns.